GRUPO DE ESTUDOS
Denis Melo
Denis Melo
“A história faz-se com documentos escritos, sem dúvida. Quando estes existem. Mas pode fazer-se, deve fazer-se sem documentos escritos, quando não existem. Com tudo o que a habilidade do historiador lhe permite utilizar para fabricar o seu mel, na falta das flores habituais. Logo, com palavras. Signos. Paisagens e telhas. Com as formas do campo e das ervas daninhas. Com os eclipses da lua e a atrelagem dos cavalos de tiro. Com os exames das pedras feitos pelos geólogos e com as análises de metais feitas pelos químicos. Numa palavra, com o tudo o que, pertencendo ao homem, exprime o homem, demonstra a presença, a atividade, os gostos e as maneiras de ser do homem.”
Jacques Le Goff
A vertigem é também tema da história. E por que não? Nada é mais vertiginoso do que uma cidade, pequena ou grande. Lugar de fluxos e refluxos, de velocidade e de lentidão, a cidade guarda em sua alma as pedadas correntes de sua maldição, mas também a graça de sua proteção – como na Idade Média em que as cidadelas muradas protegiam todos os seus moradores dos demônios espirituais e de carne e osso...
A história faz-se com documentos. As cidades são uma verdadeira usina de acontecimentos, significados e de documentação. Todo dia é usinado uma infinidade de documentos que vão desde as “pernas das formigas” de que fala Pascal, até os signos, paisagens, telhas, ervas daninhas, de que fala Le Goff.
Portanto, precisamos analisar “textos que falam a cidade, ou onde ela fala, com sua capacidade de fabulação que mistura a tendência racionalizadora, geométrica, dos poderes que, com os desejos, os sonhos, as experiências e as vivências dos homens, a querem ordenar e controlar.”
Ordenar e controlar. Perceber a sutileza das várias formas de controle e de ordenamento social, que vão desde a construção de um novo mercado público, aparentemente apenas uma obra de engenharia e de arquitetura, até as regras sobre os usos das ruas do centro da cidade por vendedores ambulantes.
Pensar o conhecimento sempre no plural. Assim como plural é a cidade, porque afirmou acertadamente Walter Benjamin, “uma cidade ajuda a ler outra cidade”. Tema muito bem fundamentado quando lemos As Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino.
Vamos ler romances, poesias, contos, ensaios. Imaginemos o quanto um livro como As Cidades Invisíveis tem a nos dizer em sua arquitetura textual e simbólica. A leitura de Pamuk, Machado de Assis, Cordeiro de Andrade, Domingos Olímpio, nos dizem como as coisas poderiam ter sido e não foram...
A sensibilidade também é matéria da História. Vamos pensar num livro como O Labirinto da Solidão, de Octavio Paz e buscar no texto a sensibilidade de um exilado, de um homem “torturado” por uma identidade escorregadia, tênue, reticente...
ENCAMINHAMENTOS OU PEQUENO CADERNO DE (IN)UTILIDADES:
- Criar um blog (CONS-PIRAÇÃO) para divulgar as discussões e propostas do grupo;
- Planejar, organizar e realizar eventos culturais: performances poéticas, esquetes teatrais, seminários, debates, etc.;
- Participar de eventos locais, estaduais e nacionais com trabalhos dos membros do grupo;
- Posteriormente registrar o grupo.
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